A bailarina Rozeane Oliveira apresenta o solo de dança contemporânea “Eu Fêmea” na Casa da Ribeira na próxima sexta-feira (6), às 20h, com entrada gratuita. A apresentação integra a programação do Festival Verão Aquilombado, que celebra os 25 anos do espaço cultural.
Criado e interpretado por Rozeane, o espetáculo investiga a experiência da mulher negra como território atravessado por violências históricas, simbólicas e cotidianas, mas também como campo ativo de invenção, força e transformação. A obra se constrói na tensão entre presença e apagamento, exposição e resistência, revelando um corpo que insiste em existir apesar das inúmeras tentativas de silenciamento impostas pela sociedade.
Para a bailarina, participar do Festival Verão Aquilombado é uma honra. “Estar inserida nessa programação, que potencializa a arte de artistas pretos da nossa cidade, e ainda celebrar os 25 anos da Casa da Ribeira, um espaço tão importante para a cena cultural de Natal, torna tudo ainda mais grandioso. Voltar a esse palco agora, depois de tanto tempo, carrega um peso emocional e artístico muito profundo”, afirma.
A apresentação marca o início do projeto de circulação do espetáculo “Eu Fêmea”, contemplado pela Lei Aldir Blanc no Edital de Fomento à Dança 11/2024. Após a estreia no festival, o solo segue para as cidades de Recife e João Pessoa, além de contar com nova apresentação em Natal, no mês de maio.
Rozeane retorna ao espetáculo sob uma nova condição enquanto artista e corpo dançante. Após sofrer um acidente grave com deslocamento de quadril, a bailarina segue em tratamento e encara o retorno aos palcos como um processo diário de autoconhecimento. “Meu corpo de hoje exige cuidados extremos para estar em cena, e minha rede de apoio tem sido fundamental para que eu me sinta segura”, destaca.
Ela conta com o suporte da Team Max, sob assessoria de treino de Alline Silva, com foco no fortalecimento muscular, e de Ana Claudia Albano, responsável pela preparação corporal e adaptações coreográficas. A equipe vem repensando movimentos e ajustando a performance para preservar a integridade física da artista sem comprometer a essência impactante da obra.
“Confesso que o frio na barriga é inevitável. Em outubro, cheguei a me apresentar com o Coletivo CIDA, mas ali estava amparada pelo grupo. Agora, o desafio é o solo: serei eu, sozinha em cena, durante 30 minutos. É um processo de entrega e confiança no tratamento que sigo realizando até junho. Apesar do nervosismo natural dessa volta, sinto-me firme e feliz. Tenho uma equipe preparada para que tudo corra bem e acredito que será uma grande noite. Mais do que uma apresentação, será uma noite de celebração, acolhimento e o marco de um novo ciclo de circulação que me deixa muito entusiasmada”, conclui.
Os interessados devem chegar com uma hora de antecedência para retirada dos ingressos.
Festival Verão Aquilombado
O Festival Verão Aquilombado inaugura o ano comemorativo da Casa da Ribeira entre os dias 6 e 8 de março de 2026, com programação gratuita dentro e fora do espaço cultural. Mais do que um festival, trata-se de um aquilombamento contemporâneo: um encontro de narrativas negras e LGBTQIAPN+, promovendo fruição artística, economia criativa e diálogo intercultural.
Com mais de 30 atrações, o evento reúne dança, música, teatro, contação de histórias, artes visuais, cinema, culturas tradicionais e uma feira de afroempreendedorismo instalada na rua. O espaço contará com artesanato, moda e gastronomia dialogando com inovação tecnológica, “pink money”, debates sobre decolonialidade e práticas antirracistas.
O projeto foi aprovado no Edital de Fomento às Artes Integradas e Outras Expressões Artísticas – 08/2024 – Ações Culturais – Faixa 02 – PNAB SECULT/RN. Conta com apoio da Fundação José Augusto, por meio da Secretaria de Cultura do RN, Governo do Estado do RN, Sistema Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal.


