Curta Metragem potiguar “Mãe Santíssima” estreia na Mostra de Cinema de Tiradentes (MG)

No sertão, onde a poeira nunca se assenta, três destinos se cruzam sob o peso de uma profecia. Entre fé e violência, amor e honra, vida e morte, Mãe Santíssima mergulha nas contradições humanas e mostra como o passado pode assombrar o presente e moldar o futuro. O curta, inspirado no conto de Theo  Alves, terá sua estreia em Festivais na 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes (MG) – um dos mais importantes espaços de encontro, reflexão, formação, exibição e difusão do cinema brasileiro contemporâneo.

Entre a fé cega, as perseguições e os silêncios, a narrativa leva o espectador a refletir sobre a força destrutiva dos preconceitos, a resistência e o poder de redenção presente na tradição cultural.

Mãe Santíssima chega ao público como uma obra que une força narrativa, estética singular e um processo de criação coletivo. Concebido sob a filosofia do cinema processo — também chamado de cinema orgânico —, o filme valoriza o acaso, a colaboração e a participação ativa da comunidade local. O diretor geral Buca Dantas, cocriador do Cinema Processo, é reconhecido por essa abordagem inclusiva, que rompe com a rigidez do roteiro e integra moradores da região, não atores, tanto na atuação quanto na equipe técnica.

Mesmo com essa organicidade, a produção alia rigor técnico e qualidade cinematográfica. A estética é marcada por escolhas ousadas: fotografia em preto e branco, trilha sonora construída a partir de sons ambientes e a quase completa ausência de diálogos. Embora tenha partido de um roteiro dialogado, a narrativa se transformou em uma experiência predominantemente imagética, em que a força da imagem assume protagonismo.

Essas particularidades tornam Mãe Santíssima uma obra singular no cenário audiovisual brasileiro: poética, experimental e profundamente enraizada no território que lhe deu vida. O filme reafirma a marca autoral de Buca Dantas — densidade, poesia e identidade brasileira — e apresenta uma proposta estética inovadora, onde profecia, paixão e redenção se entrelaçam sob o olhar de um cinema feito em sua essência.

“Mãe Santíssima fala de um Brasil profundo, de pessoas em que vivem, sofrem e amam aquelas experiências. É ambientado na caatinga, bioma exclusivamente brasileiro e valoriza o conhecimento ancestral. Os conflitos das personagens fala deles e também de quem vai apreciar o filme, pois que são locais e universais”, destaca Buca Dantas.

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SOBRE A MOSTRA TIRADENTES

A Mostra de Cinema de Tiradentes chega à sua 29ª edição, de 23 a 31 de janeiro de 2026, reafirmando-se como um dos mais importantes espaços de encontro, reflexão, formação, exibição e difusão do cinema brasileiro contemporâneo. Ao longo de quase três décadas, o evento consolidou-se como uma plataforma essencial para a renovação do audiovisual nacional, inaugurando o calendário audiovisual brasileiro e reunindo, anualmente, filmes, ideias, afetos e debates que ajudam a pensar o presente e projetar o futuro do cinema no país.

Realizada na histórica cidade de Tiradentes, em Minas Gerais, a Mostra transforma o território, suas ruas, praças e espaços culturais em um ambiente vivo de circulação de imagens, pensamentos e experiências.

A programação reúne uma seleção de 140 filmes brasileiros, entre longas, médias e curtas-metragens, exibidos em sessões presenciais e online, organizados em mostras temáticas, competitivas e especiais. A experiência do público é ampliada por atividades de reflexão e debate, como os Encontros com os Filmes, o 29º Seminário do Cinema Brasileiro, rodas de conversa, diálogos audiovisuais e encontros formativos, que colocam realizadores, profissionais do audiovisual e o pensamento crítico no centro da experiência cinematográfica.

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