O início do ano costuma concentrar uma série de despesas extras — como IPTU, IPVA, matrícula escolar e compra de material didático — que impactam diretamente o orçamento das famílias. Apesar do desafio, janeiro também representa uma oportunidade estratégica para reorganizar as finanças, revisar hábitos de consumo e planejar o ano com mais segurança e previsibilidade.
De acordo com o professor Kennedy Paiva, da área de Gestão e Negócios da Universidade Potiguar (UnP), integrante do Ecossistema Ânima, o período é decisivo justamente por concentrar gastos sazonais e marcar um ponto natural de renovação financeira. “É quando conseguimos reestruturar o orçamento, revisar contratos, recalibrar provisões e projetar o fluxo de caixa anual com maior precisão”, explica.
Segundo o especialista, iniciar o ano sem organização financeira costuma gerar dificuldades logo nos primeiros meses. Entre os erros mais comuns estão a ausência de provisões para gastos previsíveis, a mistura entre despesas fixas e variáveis, o uso recorrente do crédito rotativo ou do cheque especial e a falta de clareza sobre dívidas e metas financeiras.
Para enfrentar os custos típicos de janeiro sem comprometer as finanças, o planejamento antecipado é fundamental. A recomendação é criar reservas mensais ao longo do ano e organizar um calendário anual de despesas. “Sempre que possível, priorizar pagamentos à vista ajuda a aproveitar descontos e reduzir custos. Quando o planejamento começa tarde, o ideal é reduzir o consumo discricionário e utilizar apenas uma reserva de oportunidade, nunca a reserva de emergência”, orienta Paiva.
A adoção de hábitos simples logo no começo do ano também pode gerar impactos positivos ao longo dos meses. Entre eles, revisar o orçamento mensal por centros de custo, automatizar investimentos e registrar os gastos em tempo real, práticas que contribuem para maior controle financeiro e tomada de decisões mais conscientes.
Para quem já começa o ano endividado, o cuidado deve ser redobrado. A orientação é listar todas as dívidas e organizá-las conforme o custo, priorizando aquelas com juros mais elevados. Avaliar alternativas como portabilidade, refinanciamento ou consolidação pode ser uma saída, desde que reduzam o custo total e tragam mais previsibilidade ao fluxo de caixa.
A renegociação deve ser considerada especialmente quando há risco de inadimplência nos próximos 60 a 90 dias. “É essencial comparar o contrato atual com o novo, evitar alongamentos excessivos, recusar vendas casadas, exigir tudo por escrito e verificar o impacto no score de crédito”, ressalta.
Com o orçamento anual organizado, janeiro também se mostra um momento oportuno para iniciar investimentos. “Esse período permite definir a capacidade de investimento, estabelecer metas claras e criar disciplina financeira. Para quem nunca investiu, Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária de bancos sólidos, fundos com taxas mais baixas e a poupança — apenas como conta de transição — são alternativas iniciais”, conclui o professor.


