Mesmo após o Dia Mundial da Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, lembrado em 15 de junho, os números seguem chamando atenção para uma realidade preocupante no Brasil. Dados do Disque 100, canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos, apontam que mais de 170 mil ocorrências de violência contra pessoas idosas foram registradas ao longo de 2025.
Embora a violência física seja uma das formas mais conhecidas, especialistas alertam que muitas agressões acontecem de maneira silenciosa dentro do ambiente familiar e acabam passando despercebidas por vizinhos, amigos e até pelos próprios familiares.
De acordo com a presidenta do Conselho Regional de Serviço Social do Rio Grande do Norte (CRESS-RN), Ana Lima, a negligência continua sendo a forma mais recorrente de violência contra a população idosa. Ela ocorre quando os responsáveis deixam de oferecer cuidados básicos relacionados à alimentação, higiene, saúde e segurança.
Além da negligência, também são frequentes os casos de violência psicológica, caracterizados por humilhações, ameaças, isolamento social, infantilização e desrespeito à autonomia da pessoa idosa.
“Essas situações muitas vezes acontecem dentro do próprio núcleo familiar e podem causar impactos profundos na saúde física e emocional da pessoa idosa”, destaca Ana Lima.
Outro tipo de ocorrência que preocupa os órgãos de proteção é a violência patrimonial e financeira. Nesses casos, familiares ou terceiros utilizam aposentadorias, benefícios ou bens sem autorização, comprometendo a autonomia e a segurança financeira da vítima.
Também existem situações de violência institucional, quando serviços públicos ou privados dificultam o acesso a direitos ou submetem pessoas idosas a atendimentos desrespeitosos e discriminatórios.
Segundo Ana Lima, é fundamental compreender que a violência contra a pessoa idosa não está restrita às relações interpessoais.
“Muitas dessas violações também estão relacionadas às desigualdades sociais, à insuficiência de políticas públicas e à cultura que ainda desvaloriza o envelhecimento”, afirma.
O Serviço Social atua diretamente no acolhimento e orientação das vítimas, realizando avaliações sociais, encaminhamentos para a rede de proteção e orientações sobre os direitos garantidos pelo Estatuto da Pessoa Idosa.
Além do atendimento individual, assistentes sociais também desenvolvem ações educativas, fortalecem vínculos familiares e comunitários e atuam na defesa de políticas públicas voltadas ao envelhecimento com dignidade.
Criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Mundial da Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa busca justamente ampliar o debate sobre o tema e incentivar a sociedade a identificar sinais de abuso, abandono e negligência.
Casos de violência podem ser denunciados de forma gratuita e anônima pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia em todo o país.
Principais tipos de violência contra a pessoa idosa
- Negligência: ausência de cuidados básicos relacionados à saúde, alimentação, higiene e proteção.
- Violência psicológica: humilhações, ameaças, intimidações, isolamento e desrespeito à autonomia.
- Violência patrimonial e financeira: uso indevido de aposentadorias, benefícios, dinheiro ou bens.
- Violência física: agressões que provocam dor, lesões ou sofrimento.
- Violência institucional: quando órgãos ou serviços dificultam o acesso a direitos ou promovem tratamento inadequado.
Como denunciar
As denúncias podem ser realizadas pelo Disque 100, serviço gratuito e disponível 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados.


