Mesmo com o crescimento da prática de atividades físicas entre as mulheres brasileiras, milhões delas enfrentam uma realidade frustrante: a dificuldade de reduzir gordura localizada mesmo mantendo rotina de exercícios e alimentação equilibrada. O motivo pode estar relacionado ao lipedema, uma doença crônica que afeta mais de 20 milhões de brasileiras e que ainda é pouco conhecida pela população.
Dados do relatório Women and Sports, do Ibope Repucom, mostram que 79% das mulheres brasileiras praticam atividades físicas, liderando a participação em oito das 15 modalidades esportivas mais populares do país. No entanto, para uma parcela significativa desse público, o esforço dedicado aos exercícios pode não gerar os resultados esperados devido ao lipedema.
Caracterizada pelo acúmulo anormal e doloroso de gordura, principalmente nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços, a doença costuma ser confundida com obesidade. Entre os principais sintomas estão inchaço persistente, sensação de peso nas pernas, dor ao toque e dificuldade para eliminar gordura nas regiões afetadas, mesmo diante de mudanças de hábitos e perda de peso.
“O que muitas mulheres ainda desconhecem é que esses sinais podem indicar a presença do lipedema, uma doença de origem hormonal e genética que não responde da mesma forma que a gordura comum à dieta e à atividade física”, explica o cirurgião plástico Alexandre Dantas, embaixador do BAPS Lipedema Day, ação nacional de conscientização que será realizada simultaneamente em Natal e outras 17 cidades brasileiras.
Apesar de ter ganhado visibilidade nas redes sociais nos últimos anos, o lipedema ainda enfrenta desafios relacionados ao diagnóstico. Estudos internacionais apontam que entre 10% e 18% das mulheres no mundo convivem com a doença. No Brasil, especialistas alertam que muitas pacientes levam mais de dez anos para receber o diagnóstico correto, período em que passam por tratamentos inadequados e enfrentam impactos físicos e emocionais significativos.
Além do desconforto físico, o problema também afeta diretamente a autoestima e a qualidade de vida. Muitas mulheres relatam constrangimento ao usar determinados tipos de roupa, evitam atividades de lazer em praias e piscinas e convivem com sofrimento emocional provocado pela incompreensão sobre a doença.
Segundo o cirurgião plástico Eduardo Ferro, diretor-presidente da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética (BAPS), o lipedema não tem cura, mas possui tratamento. “As abordagens podem incluir drenagem linfática, terapia compressiva, acompanhamento nutricional e atividade física orientada. Em casos mais avançados, a cirurgia redutora de lipedema pode ser indicada para aliviar sintomas e melhorar a funcionalidade”, afirma.
Os especialistas destacam que o tratamento deve ser individualizado e multidisciplinar, envolvendo profissionais como cirurgiões plásticos, fisioterapeutas, nutricionistas, endocrinologistas, psicólogos, dermatologistas, cirurgiões vasculares e educadores físicos. O objetivo é controlar a progressão da doença, reduzir sintomas e devolver qualidade de vida às pacientes.
Para ampliar o acesso à informação, a BAPS promoverá no próximo dia 13 de junho a terceira edição do Lipedema Day. A iniciativa contará com atividades gratuitas de orientação, conscientização e esclarecimento sobre a doença em 18 cidades brasileiras, incluindo Natal.
SERVIÇO
Lipedema Day
Data: 13 de junho de 2026
Local: Natal e outras 17 cidades brasileiras
Participação: gratuita
Realização: Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética (BAPS)
Inscrições: https://form.typeform.com/to/QvT8aYkU?typeform-source=baps.global
Informações: https://baps.global/


